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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Projeto de Pesquisa

 
Justificativa:

Ao tratar das especificidades das formas de inserção das mulheres no mercado de trabalho, pretende-se contribuir para o debate sobre desigualdades raciais e de gênero. O perfil do mercado de trabalho expressa, dentre outros aspectos, o resultado do processo histórico que conformou a sociedade brasileira. Nesse sentido, é de fundamental importância dimensionar o papel desempenhado pelo atributo raça/cor dos indivíduos na produção e reprodução do diferencial nas oportunidades de acesso ao mercado de trabalho. De acordo com Heilborn, Araújo e Barreto:

[...] as raças foram abolidas do discurso erudito e popular no período de 1930 a 1970, quando vigorou o discurso do mito da democracia racial no Brasil. Paradoxalmente, na prática, as queixas sobre discriminação associadas à cor, bem como à taxa de desigualdades aumentaram. Essas vozes isoladas de denúncias dessa realidade fortaleceram um discurso identitário que redundou na reconstrução étnica e cultural no Brasil. (HEILBORN, ARAÚJO & BARRETO, 2006, p. 118)

           Falar de desigualdades remete à igualdade enquanto um fim que deve ser alcançado, contemplando, desta forma, as diversidades raciais e de gênero existentes na sociedade. Nesse sentido, o termo diversidade está sendo utilizado como valor e, assim, procura-se medir o grau de diversidade da sociedade, identificando os grupos nos quais as diferenças passam a ser motivo de desigualdade, que podem ser traduzidas em acessos desiguais a oportunidades, acabando por gerar formas  de exclusão.
Donald Pierson, sociólogo norte-americano, foi um dos que iniciou os trabalhos em torno das questões raciais no Brasil.  De acordo com ele:

[...] o Brasil seria uma sociedade multirracial de classes, ou seja, uma sociedade de classes na qual se podia verificar a presença de indivíduos em todos os níveis da pirâmide social. [...] também afirmava que o apego à noção de raça era pequeno e seria errôneo falar em “preconceito de raça”, o qual era extremamente difícil de ser visto e, quando ocorria, se dava de maneira isolada a partir de crenças e atitudes individuais estranhas às condições autóctones. Por outro lado, era evidente ao autor a existência de “preconceito de classe” [...] (HEILBORN, ARAÚJO & BARRETO, 2010, p. 89)

As mulheres vêm atuando no mercado de trabalho de forma cada vez mais crescente. Inicialmente, seu ingresso deveu-se à necessidade de auxiliar nas despesas familiares, porém, hoje vemos que em alguns lares é ela mesma quem os “chefia”, sendo as responsáveis por sua manutenção.
A presença mais notável de mulheres negras entre as pessoas pobres é reflexo de um processo histórico de (re)produção de desigualdades sociais. Essas desigualdades têm como eixos estruturantes os marcadores sociais como gênero e raça-etnia, os quais orientam a construção da cidadania e a efetivação de direitos. Heilborn, Araújo e Barreto apontam que:

[...] as diferenças de gênero e de raça/etnia, ao lado das de classe, se destacam, entre outras características disponíveis dos seres humanos, como indicadores significativos da desigualdade social e elas interagem para reproduzir a opressão das mulheres em geral e as diferenças particulares entre elas. [...] a naturalização das desigualdades  sociais atua como forma de conciliar igualdade de oportunidades com a desigualdade existente, na medida em que transfere para a natureza a explicação dessas desigualdades. (HEILBORN, ARAÚJO & BARRETO apud STOLCKE, 2010, p. 12)

Ao observarmos o Shopping do município de Cachoeiro, podemos perceber que a presença de trabalhadoras negras quase é inexistente, neste local podemos ver uma ou outra laborando em atividades ligadas à limpeza e ao estoque de mercadorias. O “embranquecimento” das atendentes das lojas está ligado à solicitação da dita “boa aparência”, costumeiramente exigida nos currículos de emprego. Esse preconceito racial, uma violência sutilmente disfarçada, vem deixando de fora do mercado de trabalho cachoeirense diversas mulheres que, mesmo tendo qualificação para exercer as funções propostas, acabam ficando de fora dos postos de trabalho por causa da sua cor. Assim, é possível verificar como a atuação no mercado de trabalho gera desigualdades, tanto por segmentação quanto por discriminação sexual e racial.  Heilborn, Araújo e Barreto explicitam que:

O ingresso de homens e mulheres negros (as) no mercado de trabalho ocorre em situações de desvantagens, em relação ao grupo branco, devido às maiores possibilidades de sucesso educacional destes últimos. Além disso, os (as) negros (as) estão expostos à discriminação relacionada à cor/raça, impedindo o acesso às ocupações mais valorizadas, mesmo quando conseguem romper a barreira educacional, limitando suas possibilidades de ascensão social. Disto resulta uma concentração desproporcional de negros (as) nas ocupações manuais, menos qualificadas e mais mal remuneradas. [...] Os estudos sobre mobilidade e raça, no Brasil, apontam que as desigualdades raciais vão se tornando mais evidentes à medida  que os (as) negros (as) vão se movimentando para o topo da pirâmide ocupacional. [...] o preconceito de classe se torna mais relevante à medida  que subimos na hierarquia de classes no Brasil (HEILBORN, ARAÚJO & BARRETO, 2010, pp. 150-151)

Para verificar a situação observada, propomos uma Pesquisa Social a fim levantar dados quantitativos e qualitativos que venham a definir quantas são essas mulheres, os cargos que ocupam, suas reais condições de trabalho, seu vinculo empregatício, há quanto  tempo  desempenham a atual função, as oportunidades de crescimento dentro do seu setor de trabalho, além de sua percepção quanto a existência de preconceito racial neste tipo de estabelecimento comercial. Através dos dados obtidos na pesquisa e da criação de material, desejamos promover ações que venham a promover a melhoria das necessidades verificadas. 

Metas:

Por meio da Pesquisa Social, serão traçadas as seguintes metas: verificar quantas trabalhadoras negras sofreram preconceito racial quando procuraram/pleitearam emprego nesta área comercia; relatar quais os tipos de trabalho que as mulheres negras estão exercendo e qual a oportunidade que tiveram para ascender profissionalmente neste local; constatar as condições de trabalho e os salários obtidos por essas mulheres;  verificar qual a posição que elas ocupam em seu lar – se são as responsáveis por sua família;  definir quais são os vínculos empregatícios mais comuns que elas têm com este estabelecimento social (prestadoras de serviço terceirizadas, trabalhadoras com Carteira de Trabalho assinada etc).  
Ao final da Pesquisa Social e levantamento de dados, será elaborado um Plano de Ação a fim de propor ao Governo Municipal ações que venham atender às demandas constatadas, a fim de que as trabalhadoras negras possam vir a desfrutar de melhores condições de trabalho e oportunidade na instituição analisada.

Sustentabilidade

É através do Estudo Social  que saberemos as verdadeiras condições desfavoráveis à  formação de um (a) bom (a) cidadão (ã), ou seja, se o ambiente em que as mulheres negras trabalham é de fundamental importância para o acompanhamento da evolução comportamental dessas mesmas mulheres, sobretudo no desempenho do trabalho, podendo com maestria avaliar possíveis causas de fraquejos e apontar soluções.
Vamos propor à ACISCI a realização  periódica de pesquisas sobre o mercado de trabalho e confrontá-los com os dados do Ministério do Trabalho. Sugeriremos à Câmara de Vereadores a criação de um projeto de lei, para saber como as mulheres negras têm se comportado no mercado do trabalho. Será também proposto um  treinamento aos funcionários do shopping e incentivo à Direção do Shopping para a continuação de pesquisa periódicas. 

Detalhamento dos Custos

Orçamento Resumido
PLANEJAMENTO DETALHADO DOS CUSTOS PARA 60 DIAS
Materiais e Instrumentos
Quantidade
Propósito
Custo Unitário
Custo Total
60 dias
Camisetas
10
Divulgar o projeto durante a realização das atividades
R$ 20,00
R$ 200,00
Banner do projeto na entrada da instituição
01
Demonstrar o início do novo projeto da instituição.
R$ 100,00
R$ 100,00
Pesquisador ou pesquisadora
5
Coletar, amazenar, mensurar, tabelar e apresentar os dados.
R$ 40,00

R$ 12.000,00


Impressão dos formulários na gráfica
100
Mídia onde será coletada
R$ 0,50
R$ 50,00
Digitador
1
Pessoa responsável para digitação dos dados
R$ 25,00
R$ 1.500,00
Impostos / Encargos



R$ 4.000,00
TOTAL GERAL



R$ 17.850,00

Parceiros

Parceiro

Valor do Investimento (em R$)
Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim -> Cederá 1 motorista e carro com tanque cheio de gasolina que levará os 5 pesquisadores do centro de Cachoeiro ao Shopping Sul, durante 60 dias

R$ 15.000,00
UFES
Doação de valor para ter direitos de uso da pesquisa e publicação em projetos acadêmicos
5.000,00
Total

20.000,00

Declaração de Contrapartida

Declaramos, para fins de comprovação junto ao Ministério das Cidades, que os recursos referentes à contrapartida para fazer frente às despesas parciais com o projeto PESQUISA DE CAMPO EM SHOPPING CENTER, estão assegurados no planejamento orçamentário desta instituição para o exercício de 2012.
 
Cachoeiro de Itapemirim, ES – 31 de Maio de 2012

PESQUISA DE CAMPO EM SHOPPING CENTER
DETALHADAMENTO DE CONTRAPARTIDA

Contrapartida
Valor do Investimento (em R$)
Publicação da logomarca dos parceiros e doadores no projeto acadêmico.
Divulgação dos parceiros nos meios de comunicação falada e escrita.
Uso da logomarca nos impressos e camisetas oficiais



R$  20.000,00

Declaração de Adimplência

Declaração do Governo Federal

Alunos Reunidos do Grupo 3 – Violência Contra Mulher Negra não estão inadimplentes com nenhum órgão ou entidade da Administração Pública Federal Direta ou Indireta.

Cachoeiro de Itapemirim, ES – 31 de Maio de 2012

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HEILBORN, M. L.; ARAÚJO, L.; BARRETO, A. (orgs). Gestão de políticas públicas em gênero e raça/GPP-GeR: módulos 3 e 4. Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2010.
STOLCKE, V. Sexo está para gênero assim como raça para etnicidade ? Estudos afro-asiáticos. Rio de Janeiro, n. 20, 1991, p. 101-119

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